Tesouro Selic, IPCA+ e Prefixado: diferenças
Tesouro Selic, Tesouro IPCA+ e Tesouro Prefixado têm o mesmo emissor público, mas não entregam a mesma regra de remuneração, o mesmo fluxo nem a mesma sensibilidade a uma venda antecipada. A comparação útil começa pela data da meta e termina no valor líquido, sem escolher um título apenas pela taxa mostrada.
Qual é a diferença principal?
Tesouro Selic acompanha a taxa básica e costuma apresentar menor sensibilidade de preço; Tesouro IPCA+ combina inflação e taxa fixa para o vencimento; Tesouro Prefixado define uma taxa nominal para o fluxo contratado. Todos podem oscilar antes da data final, têm regras de custódia e tributação e são recomprados a preço de mercado quando vendidos antecipadamente.
Quatro perguntas antes de olhar a taxa
Como remunera?
Selic, inflação mais taxa real ou taxa nominal prefixada.
Quando paga?
No vencimento ou também por cupons semestrais, conforme a versão.
Quanto oscila?
Depende de prazo, fluxo e taxas exigidas pelo mercado.
Quando o dinheiro será usado?
A data da meta define se o preço antecipado pode importar.
Quadro comparativo: Selic, IPCA+ e Prefixado
| Critério | Tesouro Selic | Tesouro IPCA+ | Tesouro Prefixado |
|---|---|---|---|
| Regra no vencimento | Variação ligada à Selic, conforme o título | IPCA acumulado mais taxa fixa contratada | Taxa nominal definida na compra |
| Fluxo | Pagamento no vencimento | No vencimento ou com juros semestrais | No vencimento ou com juros semestrais |
| Inflação | Não há correção direta pelo IPCA | O IPCA integra a regra de remuneração | Não há correção direta pelo IPCA |
| Oscilação antes do vencimento | Existe e costuma ser menor, sem ser zero | Pode ser relevante, sobretudo em prazos longos | Pode ser relevante, sobretudo em prazos longos |
| Venda antecipada | O Tesouro recompra a preço de mercado; o retorno pode diferir da premissa da compra | ||
| FGC | Não se aplica: são títulos públicos federais | ||
O quadro resume mecanismos. Não classifica um título como melhor, mais seguro para toda situação ou adequado a uma pessoa específica.
Mesmo emissor não significa mesmo comportamento
Os três títulos são obrigações do Tesouro Nacional negociadas no programa Tesouro Direto. Essa origem comum define a natureza do risco de crédito soberano, mas não iguala indexador, vencimento, calendário de pagamentos ou preço de mercado. Dois títulos do mesmo emissor podem reagir de maneira muito diferente a uma mudança de juros porque seus fluxos estão distribuídos em datas distintas.
A comparação também precisa identificar a versão completa do título. “IPCA+” pode significar pagamento único no vencimento ou juros semestrais. “Prefixado” pode indicar LTN, sem cupons, ou NTN-F, com cupons. O Tesouro Selic, historicamente identificado como LFT, segue outra regra. Sigla, vencimento e fluxo formam uma unidade; comparar apenas o nome da família elimina justamente as informações que explicam o resultado.
Preço de compra e taxa também são inseparáveis. A taxa exibida expressa a relação entre o que se paga, os fluxos futuros e o tempo. Uma taxa maior não é um bônus isolado e não compensa automaticamente prazo incompatível, necessidade de liquidez ou inflação inesperada. Registre o preço, a quantidade, a taxa, o vencimento e a data da consulta.
Tesouro Selic: pós-fixado ligado à taxa básica
O Tesouro Selic tem rentabilidade diária vinculada à Selic e pagamento no vencimento. Como a remuneração acompanha uma referência que varia ao longo do período, o valor final não é conhecido em reais na compra. A taxa básica futura pode subir, cair ou permanecer em outro patamar; uma simulação precisa declarar a premissa usada e não deve transformar o juro de hoje em promessa para todo o prazo.
Seu preço costuma ser menos sensível a mudanças de taxa do que o de títulos prefixados ou IPCA+ de prazo longo, mas “menos sensível” não significa “sem oscilação”. Existe marcação a mercado e venda antecipada a preço do dia. Pequenas diferenças podem importar em prazos muito curtos, depois de imposto, custódia, eventual taxa da instituição e condições operacionais.
A custódia da B3 tem regra específica nesta família: segundo o Tesouro Direto, não há taxa sobre valores de Tesouro Selic até R$ 10.000,00 por CPF; acima desse limite, a cobrança de 0,20% ao ano recai apenas sobre o excedente. Essa isenção não deve ser transferida para IPCA+ ou Prefixado e não elimina eventual cobrança livremente acordada com a instituição.
O guia Tesouro Selic: liquidez, custos e riscos detalha horário de resgate, custódia e comparação com produtos bancários. Ele não declara que o título serve automaticamente para toda reserva: acesso efetivo, dia útil, conta de destino e necessidade imediata ainda precisam ser avaliados.
Tesouro IPCA+: inflação e taxa fixa para o vencimento
O Tesouro IPCA+ combina a variação do índice oficial de inflação com uma taxa fixa contratada. Em uma representação educacional, os fatores são compostos: (1 + IPCA) × (1 + taxa real) − 1. Somar os percentuais fornece apenas uma aproximação. O IPCA futuro não é conhecido na compra, portanto o valor nominal final depende da inflação acumulada e do fluxo específico.
A versão sem juros semestrais concentra o pagamento no vencimento. A versão com juros semestrais distribui cupons ao longo do tempo e entrega o principal no fim. Cupom não é renda adicional gratuita: faz parte da precificação, antecipa IR e cria a necessidade de decidir se o valor será usado ou reinvestido. Uma comparação correta coloca todos os pagamentos na mesma linha do tempo.
A proteção inflacionária contratada para o vencimento não mantém o preço estável todos os dias. Mudanças na taxa real exigida pelo mercado alteram o valor de negociação. Quanto mais distante e concentrado o fluxo, maior tende a ser a sensibilidade, mantidas as demais condições. Por isso, inflação positiva e queda no extrato podem coexistir antes da data final.
O guia Tesouro IPCA+: inflação, prazo e venda antecipada explica retorno real, cupons, marcação a mercado e limites. A inflação pessoal também pode diferir do índice: o título usa o IPCA oficial, não a cesta específica de gastos de cada família.
Tesouro Prefixado: taxa nominal conhecida, inflação futura desconhecida
No Tesouro Prefixado, a taxa nominal é definida na compra para o fluxo e o vencimento escolhidos. Na versão sem juros semestrais, cada unidade integral paga R$ 1.000,00 brutos na data final, segundo as regras do programa; uma fração recebe a parcela proporcional. Esse valor não é aplicação mínima, lucro nem saldo líquido.
O Prefixado sem cupons, a LTN, concentra o pagamento no vencimento. O Prefixado com juros semestrais, a NTN-F, paga juros a cada seis meses e principal na data final. Como no IPCA+ com cupons, comparar apenas a taxa anunciada ignora imposto antecipado, reinvestimento e distribuição do caixa.
A previsibilidade é nominal. Se a inflação acumulada superar a hipótese usada no planejamento, o poder de compra pode ficar abaixo do esperado. O retorno real é calculado por (1 + retorno nominal líquido) ÷ (1 + inflação acumulada) − 1. Isso não transforma o Prefixado em título indexado ao IPCA; apenas mede o resultado depois de conhecida a inflação do período.
Leia Tesouro Prefixado até o vencimento para a memória de cálculo e Tesouro Prefixado na venda antecipada para entender a relação inversa entre taxa e preço.
Marcação a mercado: a regra comum aos três
O extrato reflete preço de mercado. Se a taxa exigida para um fluxo futuro sobe, o preço presente desse fluxo tende a cair; se a taxa cai, o preço pode subir. A intensidade depende de prazo, cupons e distribuição dos pagamentos. Esse mecanismo alcança todas as famílias, embora a sensibilidade normalmente não seja igual.
O Tesouro Nacional recompra os títulos a preços de mercado na data da transação. Portanto, vender antes do vencimento não significa receber a taxa originalmente contratada proporcional aos dias. O retorno realizado pode ser maior ou menor, inclusive negativo em relação ao capital aplicado. Manter até o vencimento preserva a lógica de remuneração definida na compra conforme as condições do título, mas não elimina inflação, custos, risco soberano ou problemas de calendário.
Duration ajuda a interpretar a sensibilidade. Fluxos mais distantes e concentrados tendem a reagir mais a mudanças de taxa. Cupons antecipam parte do valor e alteram a duration. A medida não prevê direção dos juros, preço futuro ou título apropriado; apenas organiza como uma pequena mudança de taxa pode afetar o preço.
O guia de marcação a mercado sem jargão aprofunda a mecânica. Antes de vender, confirme quantidade, preço de recompra, valor líquido, custos, impostos e prazo de liquidação no canal oficial.
Liquidez diária não significa crédito imediato em qualquer horário
O programa permite resgates, mas aplica horários e ciclos operacionais. Pelas regras conferidas em 16/09/2026, resgates solicitados em dias úteis entre 9h30 e 13h ficam disponíveis na instituição a partir das 13h do mesmo dia; entre 13h e 18h, a partir das 13h do próximo dia útil. Agendamentos fora da janela, fins de semana e feriados seguem o próximo ciclo útil. A instituição define quando o crédito aparece na conta.
Preços e taxas exibidos fora do horário de negociação podem ser apenas referência. O Tesouro pode suspender negociações para atualizar preços em períodos de volatilidade. Além disso, títulos com juros semestrais têm suspensão específica de resgate antes dos eventos de pagamento. Esses detalhes importam quando uma despesa tem data rígida.
Planeje margem entre vencimento, resgate e uso. Um título que vence no mesmo dia de uma obrigação não garante dinheiro disponível no primeiro minuto. A comparação de liquidez deve incluir dia útil, horário, canal, conta de destino e capacidade de esperar o ciclo de liquidação.
Custódia, IR, IOF e valor líquido
A taxa de custódia da B3 é de 0,20% ao ano sobre o valor dos títulos, provisionada diariamente a partir da liquidação. Ela se aplica a Selic, IPCA+ e Prefixado, com a isenção específica já descrita para a faixa de até R$ 10.000,00 em Tesouro Selic. Uma instituição financeira pode cobrar taxa própria, anual ou por operação, conforme acordo com o cliente.
O IR incide sobre o rendimento e segue tabela regressiva: 22,5% até 180 dias; 20% de 181 a 360; 17,5% de 361 a 720; e 15% na faixa final. Resgates antes de 30 dias podem ter IOF. Nos cupons semestrais há IR; o IOF não incide sobre os cupons. A contagem tributária considera as datas de liquidação conforme as regras aplicáveis.
Resultado bruto, líquido e real não são sinônimos. O bruto vem antes de descontos; o líquido deduz tributos e custos incluídos; o real compara o líquido com inflação do mesmo período. Use a mesma base para os três títulos. Não aplique imposto sobre todo o saldo, não transfira a isenção de custódia do Selic para outras famílias e não ignore cupons já recebidos.
Ordem recomendada da conta
1. Alinhe capital, datas e fluxo. 2. Calcule o cenário bruto. 3. Desconte IOF, IR, custódia e custos. 4. Compare o líquido com a inflação. 5. Separe vencimento de preço antecipado.
Os títulos do Tesouro não têm FGC
Tesouro Selic, IPCA+ e Prefixado são títulos públicos federais e não utilizam a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos. O FGC aparece em determinados produtos elegíveis emitidos por instituições financeiras, sob condições e limites próprios. A ausência de FGC no Tesouro não significa que os riscos desapareceram nem que a comparação pode ignorar prazo, preço e operação.
O risco de crédito é soberano, relacionado à capacidade do governo federal de cumprir suas obrigações. Além dele, o investidor enfrenta risco de mercado na venda antecipada, inflação, erro de prazo, custos, liquidez operacional e concentração. Chamar qualquer investimento de “risco zero” elimina variáveis que continuam relevantes.
O artigo Tesouro Direto tem FGC? diferencia emissor público, intermediário e mecanismos de proteção. A instituição financeira atua na operação, mas os títulos ficam registrados conforme a estrutura de custódia; confirme documentação e extrato.
Qual título combina com qual objetivo?
A página não responde essa pergunta individualmente, mas oferece um filtro. Para dinheiro com data incerta e possibilidade de uso próximo, observe primeiro acesso efetivo e sensibilidade de preço. Para uma meta nominal com data definida, verifique se o vencimento e o fluxo coincidem com a despesa e como a inflação pode alterar o poder de compra. Para uma meta ligada a preços de longo prazo, estude a regra inflacionária e o risco de precisar vender antes.
Esse filtro não transforma Tesouro Selic em escolha automática para reserva, Prefixado em solução universal para metas ou IPCA+ em garantia de proteção em qualquer data. Cada conclusão depende de valor, horizonte, tolerância à oscilação, outras reservas e necessidade de liquidez. O mesmo título pode ser coerente para uma finalidade e inadequado para outra.
Use uma linha do tempo: data de compra, possíveis cupons, data provável de uso, margem operacional e vencimento. Se o uso vier antes do vencimento, registre que o resultado dependerá do mercado. Se vier depois, inclua a hipótese de reinvestimento. Se houver cupons, declare como serão tratados. O plano fica auditável quando as hipóteses aparecem.
Como usar a calculadora sem criar falsa precisão
A calculadora de Tesouro Direto permite informar capital, prazo, taxa, inflação e custos para cenários educacionais de Selic, IPCA+ e Prefixado. Ela separa resultado bruto, impostos, custódia e valor líquido, mas não consulta taxa disponível, preço unitário, título real, conta ou carteira.
Na opção de venda antecipada, a ferramenta não inventa preço de recompra. Essa limitação é deliberada: o preço dependerá das condições do mercado e do título específico na data da transação. Use a simulação para compreender relações e testar sensibilidade de premissas; depois confirme preço, vencimento, fluxo, custos e regras no canal oficial.
Um exercício útil é usar o mesmo capital e prazo para os três cenários, alterar uma premissa por vez e comparar bruto, líquido e real. Não conclua pela maior cifra. Volte à data da meta, à possibilidade de saída e ao fluxo. A calculadora organiza a conta, não escolhe o título.
Checklist antes de comparar uma condição real
- Identifique nome completo, sigla, vencimento e fluxo de cupons.
- Registre preço, quantidade, taxa e data da consulta.
- Defina quando o dinheiro pode ser necessário.
- Separe remuneração no vencimento de preço antecipado.
- Inclua IR, IOF, custódia e taxa da instituição.
- Compare retorno nominal, líquido e real no mesmo período.
- Confirme horário, liquidação e conta de destino.
- Consulte regulamento e documentos oficiais antes de operar.
Teste o mesmo cenário nos três títulos
Use premissas editáveis e depois aprofunde a família que deseja compreender.
Perguntas frequentes
Qual título do Tesouro rende mais?
Não há resposta fixa. Resultado depende de taxa contratada, Selic, inflação, prazo, preço, custos e eventual venda antecipada. Compare o mesmo período e o valor líquido.
Qual oscila menos antes do vencimento?
O Tesouro Selic costuma ter menor sensibilidade, mas não é isento de oscilação. Prazo, fluxo e condições de mercado continuam relevantes.
IPCA+ sempre protege da inflação?
A regra combina IPCA e taxa fixa para o vencimento. Venda antecipada ocorre a preço de mercado, e a inflação pessoal pode diferir do índice.
Prefixado garante o valor final?
A regra nominal é conhecida para o fluxo contratado até o vencimento. O valor líquido depende de quantidade, imposto, custódia e custos; venda antes usa preço de mercado.
Os três títulos têm liquidez diária?
O programa oferece recompra, mas há horário, preço de mercado, ciclos de liquidação e regras especiais perto de cupons. Liquidez não significa crédito imediato.
Todos pagam a mesma custódia?
A regra geral da B3 é 0,20% ao ano. Para Tesouro Selic há isenção sobre a faixa de até R$ 10 mil por CPF e cobrança sobre o excedente, nas condições vigentes.
Tesouro Direto tem FGC?
Não. São títulos públicos federais e o risco de crédito é soberano. Isso não elimina risco de mercado, inflação, custo e operação.
A calculadora mostra o preço de venda?
Não. Ela demonstra cenários de vencimento com premissas informadas. O preço antecipado deve ser consultado no Tesouro Direto no momento da operação.
Fontes, competência e limites
Regras conferidas em 16/09/2026. A fonte primária sustenta custódia, títulos, fluxos, horários, liquidação, recompra e tributação. Preços, taxas disponíveis e condições da operação mudam; o regulamento e o canal oficial prevalecem.
- Tesouro Direto — regras e regulamento
- Portal do Investidor/CVM — títulos públicos
- INVEST1000 — IR no Tesouro Direto
- Política editorial e de correções
O conteúdo não importa conta, saldo, CPF, carteira, oferta, preço ou taxa de mercado. Não recomenda título, vencimento, banco, corretora ou operação.
Ficha editorial
Produção e revisão: Equipe Editorial INVEST1000 · Atualizado em: 16/09/2026 · Próxima revisão: quando custódia, tributação, liquidação, títulos ou regulamento forem alterados.
Conclusão
Selic, IPCA+ e Prefixado não formam uma escada universal de melhor para pior. Cada um transforma indexador, prazo e fluxo de maneira diferente. A comparação responsável alinha a data da meta, abre custos e impostos, reconhece o preço de venda antecipada e só então observa o resultado líquido e real.
Use a calculadora para tornar as premissas visíveis e a fonte oficial para confirmar a operação. Se o plano depende de uma taxa permanecer igual, de inflação exata ou de venda por preço previsível, a incerteza ainda não foi incorporada.
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Produtor: Equipe Editorial INVEST1000 · Revisor: Equipe Editorial INVEST1000 · Status: publicado · Finalidade: educação financeira · Publicação: 09/09/2026 · Atualização: 16/09/2026
Fontes de contexto: Caderno de Educação Financeira do Banco Central e Portal do Investidor da CVM. Ver critérios de fonte, autoria e publicação.